Escritos

...artigos, idéias e pensamentos de pessoas que, cremos, fazem diferença. Aproveite e deleite-se:

 

 

Milagres de Silvestre

Este cd foca o compositor como autor das melodias. Os poemas são, em sua maioria, dos parceiros Wolô, Silvia Mendonça, Stênio Marcius, Roberto Diamanso, Gláucia Carvalho, Claudio Martos e Isaias Oliveira. Exceção: “Olhos Bons”, com parte da melodia de Glauber Plaça. “Cântico” tem letra e música de Silvestre Kuhlmann.

 

“Ninguém Mais Fala do Amor”. Isaias Oliveira

Nestes tempos em que vemos o evangelho sendo pregado na Rádio e TV, cabe a reflexão: Que evangelho é este? É o de Cristo? É o da Graça? É o evangelho que diz que o Amor é o cumprimento de toda a Lei?

 

“Cântico”. Silvestre Kuhlmann

Baseado no texto de Apocalipse 15:3-4.

 

“Cultos”. Wolô

Um dos nossos precursores na busca da letra e música nossa, brasileira, na proclamação do evangelho, escreve, ele, um sábio, que a nossa curta cultura não mata a sede de Vida. Nada que é criado é mais que o Criador.

 

“Milagres”. Stênio Marcius e Silvestre Kuhlmann

Existem aqueles que não crêem em milagres, e aqueles que crêem que a vida é um milagre, a salvação é um milagre, enfim, tudo é um milagre de Deus.

 

“Ar da Graça”. Roberto Diamanso

Além da poesia escrita e falada tem a poesia praticada. Botar a mão na massa (do pão e do cimento), alimentar e acolher. 

 

“Sua Vontade é Mistério”. Claudio Martos e Silvestre Kuhlmann

Nesta música a palavra mistério é repetida propositalmente. Deus é Mistério, não cabe no nosso entendimento. Jesus entre nós é Mistério. Sua vontade é Mistério. Isso nos faz louva-Lo com temor e reverência.

 

“Igreja”. Roberto Diamanso e Silvestre Kuhlmann

A comunhão entre nossos pares irmãos, através do nosso Irmão Mais Velho, Cristo, que na igreja é lembrado ao partir do pão, fala conosco, e está entre nós. 

 

“Obra-Prima, Eu? Wolô

Cada pessoa é um “gesto desmassificador”, obra-prima do Senhor.

 

 

“Olhos Bons”. Silvestre Kuhlmann

A Graça nos faz enxergar com outros olhos. Por trás de tudo, vemos a mão d’Aquele que é ainda mais belo, e imaginou e criou o que vemos. E é bom pensar de forma infantil: Tudo o que foi criado existe pra me alegrar.

 

“Esperança”. Silvia Mendonça

Silvia Mendonça é, pra mim, a compositora mais densa, com maior poder de síntese. Uma pequena frase acolhe a eternidade. “Não quero que o tempo pare nem passe. Não quero o tempo. Quero a eternidade.”

 

“Pó”. Gláucia Carvalho

O pobre e o rico, o feio e o bonito, querendo ou não, irão se misturar ao pó da terra.  Somos pó.

 

 

“Efêmera”. Isaias Oliveira

A brisa apaga o brilho efêmero da vela, inesperadamente. Efêmero é tudo o que brilha sem o brilho de Cristo.

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O dia que não veio - Fabinho Silva

Aquela moça que levantou cedo e tomou uma garrafinha de iogurte light por desjejum, tinha uma intenção tão firme nos olhos que seria de crer impossível demovê-la.
Seu objetivo era mudar o mundo, nada mais. Levava consigo um livro, supostamente mágico, cheio de presságios certeiros pras pessoas.
Faltaria ao trabalho hoje, o que não era problema, afinal não teria mais necessidade de emprego amanhã.
Mas na rua, ainda no meio-escuro da manhã, andou um bocado e não encontrou ninguém. Nem carros nem ônibus, nada de gente. Estavam todos ainda dentro de casa, supôs, pois as luzes das casas estavam acesas.
Espiou uma janelinha dum sobrado ali perto, e viu toda uma família reunida em frente à televisão. No sobrado vizinho, havia um casal de idosos, também na frente da TV. E, por todo o bairro, todos miravam a telinha com a expressão mais séria do mundo.
Ainda faltavam quinze minutos para as seis da manhã. A moça chamou à porta dos idosos:
- Bom dia... posso falar com a senhora?
- Minha filha, que você está fazendo aí fora? Perdeu o juízo?
- Aham, senhora... está uma manhã tão agradável, estou dando uma caminhada... mas parece que é só eu, não? Todo mundo vendo TV...
- Então você não está sabendo?
- Do quê?
- Da transmissão.
- Hã...não...
- Vai ser às 6:00h. Ninguém deveria sair de casa. Deu no jornal ontem! Você não viu? Onde anda a cabeça desses jovens, meu Deus.
- Nos últimos dias estive ocupada lendo este livro aqui, aliás maravilhoso, que nem lembrei de ligar a TV...
- Pois não deveria ter perdido tempo com isso... a vida real está aqui na TV, filha... venha, entre, pelo amor de Deus...
A moça entrou. Na tela, a imagem fixa num ponto do céu. Um contador regressivo mostrava o tempo restante para seis da manhã. Uma voz comentava algo sobre uma reunião de líderes mundias.
- O que vai acontecer às seis da manhã? - perguntou, afinal.
A idosa suspirou, um ar desolado:
- Anunciaram o fim do mundo, filha. Disseram que vai cair uma coisa aí do céu, e não vai sobrar nada. O que era mesmo, Antônio?
O idoso resmungou algo que ela não entendeu. Na TV, apareceu a logomarca de um famoso Banco.
- Mas, assim, de uma hora pra outra? Até ontem, tudo parecia tão bem.
- Ah, não tava assim tão bem não, filha... a TV tava mostrando tudo, tudo. A coisa tava feia, dava todo dia no jornal. Mais cedo ou tarde, isso ia acabar acontecendo. Olha lá! a banda da Ivete vai começar a tocar a música do fim do mundo.
- Senhora... se vai acabar mesmo, então por que não saímos e aproveitemos o último nascer do sol?
Ela disse isso, mas notou que os idosos já não a ouviam mais. A televisão dizia que o mundo ia acabar, e ia transmitir ao vivo, patrocínio da coca-cola, com 45 câmeras exclusivas que pegariam o melhor ângulo do fim. Fixos na tela, seus olhos foram iluminados por um brilho intenso. Ela olhou pra rua, e ainda estava escuro. Eram seis em ponto.
E esse foi o fim: o brilho da tela da TV roubou a vida dos olhos das pessoas, restando apenas seus corpos secos sentados nos vários sofás das muitas casas. Lá fora, nascia o sol, devagar, vermelho, lindo como nunca.
Saindo pra rua ela encontrou outros alienados com seus livros em baixo do braço. Pessoas muito vivas, por sinal. Homens, mulheres, jovens, idosos, crianças, limpos e sujos, feios e bonitos. Pois o fim do mundo, quando veio, não veio para todos.

 

Crônicas de um pescador Ensinos do velho do mar - Tuta Moraes

Ainda é alta madrugada, quando o velho do mar se levanta, apanha sua cafeteira, que será sua companheira até quando voltar. Ele olha pela janela e vê que as estrelas ainda estão lá, anunciando que o tempo é de calmaria, e que ele pode se preparar, para muito pescado matar.

Ele coloca sua roupa de borracha, sua botina, seu boné, dá um cheiro na velha companheira, que juntos já tomaram um aparadinho bem quentinho, e vai ladeira abaixo, em direção à praia, lugar onde ele mais gosta de ficar.

Lá ele se encontra com outro pescador, um velho amigo do mar, e juntos se lembram de quando começaram a pescar. Eram ainda jovens, queriam mesmo era passear e prosear, incomodavam um bocado, mas pegaram gosto pela coisa, e logo se tornaram amantes do mar.

Lembraram de uma vez quando, de repente, o morro roncou e o vento nordeste chegou, trazendo consigo muita neblina e muito frio, além de marolas nervosas que causavam arrepio. Lembraram das palavras dos mestres que sempre diziam – com o mar não se pode brincar, tem mais é que respeitar, se não quiser naufragar – lição que aprenderam e gostavam de contar.

Quando era jovem e indeciso, até tentou outra profissão, mas logo percebeu que o mar era o seu lugar, e para lá ele voltou, e, depois de tantos anos, só saía se não tivesse outro jeito, e mesmo assim ia resmungando aquele velho mestre do mar.

Agora, depois de tanto tempo, até alguns de seus netos também são pescadores, alguns embarcados em algum barco industrial, outros na pesca artesanal. De pai para filho, chega à quarta geração, isso é motivo de orgulho para o velho sábio do mar.

Nunca se esqueceu do que aprendeu, e ensina seus filhos e netos, pois, apesar de muitas mudanças ocorridas nas embarcações, ao longo dos anos, ele bem sabe que o mais importante de tudo é, e sempre será, respeitar as regras do mar, e isso ele aprendeu, e não deixa de ensinar todos os dias a todos os jovens aprendizes do mar.

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele.” Provérbios 22:6

 

PAPO NO BOTEQUIM CELESTE - Isaias de Oliveira

PAPO NO BOTEQUIM CELESTE ou O DIA EM QUE SÉRGIO PIMENTA CHEGOU NO CÉU

Aquele parecia ser apenas mais um dia tranqüilo em terras celestiais. Quem corresse os olhos pelo lugar, veria Abraão, Paulo e Jeremias conversando animadamente enquanto praticavam o cooper matinal ou Moisés narrando pela milésima vez, a um grupo de recém chegados, toda a epopéia da travessia do Mar Vermelho.

Já no barzinho da Academia de Poetas Celestes, a animação corria solta enquanto nas caixas de som rolavam músicas do disco de Vento em Popa. Contrastando com a tranqüilidade das músicas, uma angelical garçonete transitava apressada entre as mesas carregando bandejas de papos de anjo, pastéis de santa clara e outras iguarias divinas. Numa mesa um pouco mais afastada, dois homens conversavam calma, serena e tranqüilamente enquanto beliscavam toucinhos do céu: eram Janires e Jairinho.

A conversa seguia o rumo de uma nova parceria musical quando a garçonete se aproximou com ares de novidade. Depositou a bandeja vazia na mesa e curvou-se antes de dar a notícia.

  • - Vocês já sabem quem chegou na área? – sem esperar resposta, a garçonete foi logo dizendo – Sérgio Pimenta.
  • - Sérgio Pimenta? - perguntou Janires dando um salto da cadeira.
  • - Nosso poeta maior? – diz Jairinho imitando o gesto de Janires
  • - Você tem certeza, irmã? – indaga Janires ainda perplexo.
  • - Acabei de cruzar com ele nos corredores – confirma a garçonete meio alvoroçada – não foi ninguém que me contou não, eu vi.
  • - Que coisa, rapaz – comentou Jairinho deixando-se cair na cadeira – moço tão novo...
  • - É nóis não era? – emendou Janires meio gaiato, depois, completou um pouco mais sério e sentando-se. – Cara, não sei se choro ou dou risada. Pô, Jairinho, o cara não está mais na terra... vai ficar com a gente, agora... Maneiro.
  • - Traz ele pra cá – pede Jairinho já puxando uma outra cadeira pra junto da mesa.
  • - E já diz pra ele trazer um violão – completa Janires.
  • - Assim que ele terminar de preencher as papeladas lá no escritório – diz a garçonete enquanto recolhia com destreza pratos e taças que estavam sobre a mesa.
  • - Santa burocracia – comenta Janires sem esconder o sorriso.
  • Minutos depois a solícita garçonete chega trazendo o novo hóspede que é recebido calorosamente pelos dois. Depois das apresentações formais e abraços os três sentam-se à mesa. A garçonete chega logo em seguida com a bandeja cheia e abastece a mesa com fartura.
  • - É sempre assim, por aqui? - pergunta Pimenta com a inconfundível voz grave e o sorriso largo iluminando a face.
  • - Não – explica, Jairinho – só quando chegam as celebridades. Os três caem na risada dando uma idéia de como seria a convivência entre eles.
  • - Então, irmão, me conta como estão as coisas lá embaixo – perguntou Janires tocando levemente o braço de Pimenta.
  • - Não mudou muito desde que vocês chegaram aqui, não – respondeu - tem muita gente achando que está fazendo música, outras mais preocupadas com grana, prestigio, sucesso e tem aquela turminha de sempre, pequena, lutando com disposição para que a música cristã não caia totalmente na mesmice.
  • - É, então não mudou muita coisa mesmo... – ponderou Jairinho – é porisso que eu estava pensando numa coisa, você vai fazer uma falta danada lá embaixo...
  • - Vou não, Jairinho, ficou muita gente boa por lá. Tem o João Alexandre, o Jorge Camargo, Rehder, Bomilcar, Guilherme, Gerson Ortega, Josué Rodrigues, enfim...
  • - Até aí você tem razão, mas minha preocupação, Pimenta, é com o futuro – diz Janires cofiando a barba e meio introspectivo – com o futuro... Quem vai trilhar os teus passos? Esse lance dos grandes esquemas de gravadoras, super produções, da grana, da vaidade acima dos interesses do Reino vai acabar complicando tudo. O que tú acha?
  • - Janires – começou Pimenta enquanto se ajeitava melhor na cadeira – quando eu estava vindo pra cá esta preocupação bateu forte em mim também. Afinal de contas esses caras todos que citei já não são mais crianças. Mas aí lembrei de uma noite em que resolvi ir a uma igreja no subúrbio do Rio. Lugar pobre, meio esquecido. Fui pra assistir mesmo, não ia cantar. E lá, cara, conheci um moço, quase menino, que cantou sozinho com um violão até meio detonado. A música daquele menino, que me pareceu muito tímido, me tocou tanto, passou tanta verdade, tanta poesia... dava pra sentir claramente que a graça de Deus estava sobre a vida dele, entende? Cada música linda que ele compõe... saí de lá sem poder conter as lágrimas.
  • - Sério, vélho? – questionou Janires se aproximando ainda mais de Pimenta. – Conta mais.
  • - Pois é, rapaz – continuou Pimenta – meio de longe continuei acompanhando os passos do moço e as noticias que me traziam eram as melhores possíveis. Ele é cristão desde garoto, é sério, comprometido com o reino mesmo. Até acho que ele foi tocado pela tua música, Janires, teus rítmos, tua descontração. O menino lá é cheio de brasilidade.
  • - Então puxou pra tú, também, irmão – complementou de primeira Janires dando uma sonora gargalhada.
  • - É, pode ser – pensou Pimenta. O que eu sei é que vê-lo e ouvi-lo cantar, com toda sua simplicidade, humildade, poesia e talento me encheu de esperanças.
  • - Me diz uma coisa, Pimenta – questionou Jairinho – É como é o nome do moço?
  • - O nome dele é Gerson Borges, carioca como eu, nascido no subúrbio.
  • - Tem som até no nome – brincou Janires – já é um bom começo.
  • Sérgio Pimenta riu com gosto, depois sorveu com prazer o último gole que restava na taça e conclui.

- E isso não é tudo, depois, conversando com amigos, fiquei sabendo de outros caras tão jovens quanto ele que estavam começando a despontar aqui e ali. Caras com o mesmo talento do menino que eu conhecera. Me falaram de um tal de Silvestre em São Paulo, uma dupla de meninas que cantavam muito, Cíntia e Silvia, se não me engano, um rapaz chamado Tiago, de Campinas, uns caras do Nordeste, Diamanso e Carlinhos Veiga, um poeta chamado Stênio...

- Não diga, rapaz – diz um espantado e feliz Jayrinho.

- Toda semana ouvia um nome novo: Glauber, Priscila, Jonas, Fabinho, Gladyr, tinha até um argentino fazendo música brasileira com competência, não me lembro o nome dele... Cláudio!!, lembrei.

Janires, a esta altura estava de pé, visivelmente emocionado e já havia enchido as taças novamente. Depois de servir Pimenta e Jayrinho, ergueu sua taça na direção dos amigos como que propondo um brinde.

- Você não sabe o quanto me alegra ouvir isto, Pimenta. Tuas noticias me encheram de esperança. Que Deus levante, a cada dia, gente em todos os cantos desse nosso Brasil sofrido. Gente cheia de graça e talento, que coloque Seu reino acima de todas as coisas. Que vivam pra servir ao Mestre das Canções, se servindo dos nossos mais variados ritmos e sons.

- Falou bonito, moço – diz Pimenta enxugando os olhos marejados na manga da camisa.

- Falou tudo – completa Jayrinho

Os três brindam, bebem, sentam-se e continuam o papo que tinha tudo pra durar uma eternidade.

 

Música e comportamento (parte 3) - Jonas Souza

Dando seqüência ao nosso exercício de reflexão, cabe agora discorrer sobre o que a música é. Quando comecei a pensar sobre isso, me veio à mente a seguinte expressão: Cantar é fácil; difícil é ressignificar.

O termo ressignificar, que eu empresto do meu amigo Davi Julião, atende bem ao nosso assunto, à medida em que analisamos o ministério das pessoas que trabalham com música na igreja.

A necessidade de se trabalhar com cânticos de fácil aprendizado, que sejam acessíveis à congregação, pode fazer com que os músicos e cantores eventualmente se sintam “enjoados” de executar coisas repetidas, elementares, e por vezes até clichês, principalmente quando há várias igrejas reunidas, e os cânticos têm que ser familiares a todos. É aí que se apela para os clássicos. A verdade é que, de qualquer forma, na responsabilidade de servir a igreja, executamos o que Deus realmente põe no repertório.

Mas há outra questão dentro disso: mesmo os cânticos novos, por serem fáceis, ficam comuns em pouco tempo. A própria igreja pode ser vítima desta problemática, porque de uma certa forma, ela tem a letra na ponta da língua, os gestos, há quem abra vozes, e de uma forma geral, é tudo muito previsível.

Quero dizer com tudo isso, que esta é uma questão séria, mas não insolúvel. É preciso ressignificar a maneira como tratamos as músicas. Eu proponho três frentes:

Ressignificar os arranjos – Há hinos e cânticos valiosos no cancioneiro evangélico, mas muitos deles foram postos de lado por pura falta de se pensar numa roupagem contemporânea, que seja agradável e rejuvenesça o cântico. E há tantos outros que podem ser salvos da extinção, através deste simples procedimento. Porém deve-se ter o bom senso de produzir arranjos elegantes e adequados à congregação local.

Ressignificar o conceito de ministério – Não é toda congregação que tem músicos em quantidade e preparados para conceber e executar arranjos criativos, algumas não têm sequer um músico; então o que fazer? Realmente, o arranjo é um aspecto prático do que, havendo possibilidade, é viável por em prática, mas temos que ter em mente, que mais do que arranjos, o ministério musical da igreja tem como função, auxiliar a igreja em seu culto a Deus. Ressignificar o ministério é mudar a maneira como eu encaro aquele hino simples, que a igreja se sente tão bem cantando, que eu acabo tocando com a maior alegria. Também quer dizer que, quem vai ensinar um hino novo, vai ter mais amor ao fazê-lo, assim a igreja vai assimilar mais fácil. O ministério musical faz parte da igreja, tem que interagir com ela.

Ressignificar as declarações que fazemos quando cantamos – Isso é o principal, para a igreja e para os músicos, ninguém escapa. Em Isaías 55:11 aprendemos que a palavra de Deus não volta vazia; e domingo após domingo cantamos trechos desta palavra e poesias inspiradas nela. Porém, assim como nossa vida cristã pode ficar estagnada pelo desencanto da rotina, nós, de uma hora para a outra, corremos o risco de banalizar a espiritualidade e a importância de alguns cânticos, pois alguns deles já não têm para nós nenhuma novidade. Nesse ponto, nosso próprio culto fica comprometido. Nosso canto não é apenas a emissão de palavras em forma de melodia, mas a tradução de sentimentos e anseios do nosso coração, para uma linguagem musical, que em seguida é direcionada a Deus.

Não dá para tratar isso como se fosse uma coisa qualquer. As canções, novas ou antigas, ganham o sentido da mensagem que foi ou vai ser pregada, vêm a completar o que Deus propõe como tema para tratar em cada culto, e adquirem nova nuance conforme são cantadas com o coração grato a Deus. A partir daí podemos começar a entender o que a música é.

Não vamos apenas cantar. As coisa velhas já passaram; tudo se fez novo. Ressignificar, é recorrer ao mesmo terreno, para recolher a cada dia, um maná novo.