« Música e comportamento (parte 1) - Jonas Souza | Main | Grandes Momentos - Tuta Moraes »

A Hermenêutica e o Poeta - Jonatas Heller Julião

Percebemos na atualidade que a visão do poeta, o retorno à poesia no meio evangélico, está em alta, pelo menos no meio mais conservador no que diz respeito à composição e musicalidade. Os olhares e a licença poética faz do seu artífice o grande escultor e manipulador dos sentidos textuais. Depois de certo tempo sem os arranjos literários e influências externas como Vinícius de Moraes, e internas, como Sergio Pimenta, a música evangélica e os poetas de certa forma estão se encontrando e não somente isso, mas existe uma busca intensa da chamada “boa musica” ou “música de qualidade”.

 

Esse exercício a meu ver é bastante legítimo e compensador. Traz de volta um ideal muito interessante, que é de tirar os ossos secos da música contemporânea de alguns guetos e exprimí-las com maior sensibilidade, afeto e teologia. Nesse sentido, entra em cena a necessidade de um olhar hermenêutico, que é a forma que os poetas compositores vão enxergar as Escrituras, para aqueles que ainda partem dela para as composições, para então se relacionarem com o texto e produzirem as músicas.

 

O que percebemos é que a música evangélica acompanhou e acompanha a hermenêutica e vice-versa. O ideal mais jovem, na década de 70, queria enfraquecer a exegese seca do olhar sobre a Bíblia e nesse sentido a música acompanhou e foi acompanhada, existindo um forte empenho a sensibilidade exegética, mas que muitas vezes perdeu seus alicerses.

 

Logo, em alguns compositores, a música se desdobrou em uma visão mais sensitiva, mas com profundo conhecimento Bíblico teológico, quase que partes das Escrituras cantadas, com forte empenho para que o texto fosse respeitado e traduzido em notas musicais. Nota-se esse ideal nas musicas de Vendedores por Cristo, Guilherme Kerr, Sergio Pimenta entre outros, que boa parte das suas musicas são textos cantados, com profundidade e servia para o enriquecimento da comunidade em relação ao conhecimento de Deus que se desdobra em nossa vida de santidade.

 

O que percebemos nos nossos dias, talvez um olhar muito estreito ainda por parte desse escritor, é que a fragilidade das letras, tanto poesia quanto teologia, está criando uma forma de enxergar Deus e a vida bastante efêmera. O conteúdo não passa a poesia e beleza, e a falta de poesia e beleza ofusca o conteúdo. A palavra de Deus não é mais considerada como fonte de poesia e música e quando o é, lêem-na com lentes tortas, sentidos subjetivos, não enxergando nela o próprio Deus, sua sabedoria e beleza, expostas ao nosso alcance. Isso é hermenêutica e poesia, ler o próprio Deus impresso em meio a musicalidade e poesia, sua beleza ao nosso alcance, nos entregando a uma vida de piedade devota a Ele.

 

Reader Comments

There are no comments for this journal entry. To create a new comment, use the form below.

PostPost a New Comment

Enter your information below to add a new comment.

My response is on my own website »
Author Email (optional):
Author URL (optional):
Post:
 
Some HTML allowed: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>