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Crônicas de um pescador Ensinos do velho do mar - Tuta Moraes

Ainda é alta madrugada, quando o velho do mar se levanta, apanha sua cafeteira, que será sua companheira até quando voltar. Ele olha pela janela e vê que as estrelas ainda estão lá, anunciando que o tempo é de calmaria, e que ele pode se preparar, para muito pescado matar.

Ele coloca sua roupa de borracha, sua botina, seu boné, dá um cheiro na velha companheira, que juntos já tomaram um aparadinho bem quentinho, e vai ladeira abaixo, em direção à praia, lugar onde ele mais gosta de ficar.

Lá ele se encontra com outro pescador, um velho amigo do mar, e juntos se lembram de quando começaram a pescar. Eram ainda jovens, queriam mesmo era passear e prosear, incomodavam um bocado, mas pegaram gosto pela coisa, e logo se tornaram amantes do mar.

Lembraram de uma vez quando, de repente, o morro roncou e o vento nordeste chegou, trazendo consigo muita neblina e muito frio, além de marolas nervosas que causavam arrepio. Lembraram das palavras dos mestres que sempre diziam – com o mar não se pode brincar, tem mais é que respeitar, se não quiser naufragar – lição que aprenderam e gostavam de contar.

Quando era jovem e indeciso, até tentou outra profissão, mas logo percebeu que o mar era o seu lugar, e para lá ele voltou, e, depois de tantos anos, só saía se não tivesse outro jeito, e mesmo assim ia resmungando aquele velho mestre do mar.

Agora, depois de tanto tempo, até alguns de seus netos também são pescadores, alguns embarcados em algum barco industrial, outros na pesca artesanal. De pai para filho, chega à quarta geração, isso é motivo de orgulho para o velho sábio do mar.

Nunca se esqueceu do que aprendeu, e ensina seus filhos e netos, pois, apesar de muitas mudanças ocorridas nas embarcações, ao longo dos anos, ele bem sabe que o mais importante de tudo é, e sempre será, respeitar as regras do mar, e isso ele aprendeu, e não deixa de ensinar todos os dias a todos os jovens aprendizes do mar.

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele.” Provérbios 22:6

 

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