Música e comportamento (parte 2) - Jonas Souza
Segunda-feira, Junho 1, 2009 at 12:11PM Vamos continuar tratando sobre música, não com a pretensão de elaborar uma enciclopédia técnica, mas lançando temas para nossa meditação, sem pressa de alguma conclusão que feche o assunto (mesmo por que, é impossível). Aceitem meu convite para “viajar” a respeito de nossa ferramenta de trabalho.
A música provavelmente seja o elemento mais intrigante e misterioso com que temos contato. É ao mesmo tempo energia, ciência, cálculo, brincadeira, necessidade, espiritualidade, técnica, distração, paixão, e várias outras qualidades, características técnicas e sentimentais que passeiam imperceptivelmente entre o concreto e o abstrato, entre o tangível e o invisível. A música, na qualidade de arte de domar os sons, existe antes de nós, e continuará existindo conosco.
Vale portanto, perguntar: para que serve a música? Numa análise geral, a música é necessária, está em todos os nossos momentos, e quer admitamos, quer não, numa maior ou menor proporção, não há quem passe sem ela, não há quem consiga fugir dela.
Fechando o foco agora, diretamente no contexto de igreja cristã protestante, podemos refletir, a princípio, o que a música não é.
Vou traçar um paralelo: a música tem sido usada em algumas reuniões assim como um sino, que no acampamento chama as pessoas para o almoço. É interessante como nos acostumamos a chegar deliberadamente atrasados nos cultos, dando a desculpa a nós mesmos de que perdemos “só o louvor”. Isso, a meu ver, é tão grave quanto participar do período musical e ir embora na hora da pregação; tem o mesmo peso. A música não é um momento anterior, desmembrado do culto. Na verdade, quando se toca um prelúdio, ou no entoar dos cânticos, o culto já começou; todos os momentos do culto são importantes e únicos, se não, estaremos prestando meio culto.
Deve-se evitar o extremo de subestimar a música. Em minha limitada opinião, ela é ministério sim, e deve ser tratada como tal.
O outro extremo estranho e perigoso é a supervalorização da música, e eu, mesmo sendo músico, sinto-me à vontade para discorrer sobre isso. Senão vejamos: Com o progresso, a facilidade relativa de aquisição de instrumentos, e o acesso à informação e à formação musical, tivemos nos últimos tempos uma ascensão na qualidade dos músicos das igrejas. Não é novidade para ninguém que o dom musical pode levar ao orgulho, e como ministério de destaque, pode ser, em contraponto ao exemplo anterior, supervalorizado, superfaturado, e “superestrelado”, por assim dizer.
Há também quem afirme que a adoração como forma de expressão vai revolucionar a igreja cristã, e a música é o veículo pelo qual esta adoração se manisfesta, e neste caso, ela teria um papel superdimensionado, estando numa categoria acima da pregação, aliás, a pregação neste caso já seria diluída dentro do momento musical.
Eu, pessoalmente, creio que a renovação da igreja dependa mais de atitudes internas, tolerância, serviço social e recuperação de valores cristãos abandonados, que não têm necessariamente muito a ver com música, nem com forma externa de culto, mas que se aplicados, podem melhorar sensivelmente nossa relação de sinceridade com todos os aspectos da vida cristã.
É preciso deixar a música ser exatamente o que ela é. Mas o que ela é, ou deveria ser, de à luz da nossa realidade cristã? Vamos refletir sobre isso nos próximos artigos ...
Até mais.


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